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Os ensaios começavam 9 dias antes do Natal, acompanhados ao piano, logo após a missa do parto. Não começavam sem antes se ter cumprido o ritual de passar pela sacristia para receber os rebuçados de mel numa caixinha de lata que o padre Agostinho costumava dar, não fosse o anjo enrouquecer. No dia 23 à hora habitual ensaiava no local onde faria o discurso, excepto na Noite de Natal, uma hora mais cedo para novamente dar os últimos retoques. O cetim frio, os elásticos das asas a apertar nos sovacos de pele "tenrrinha", as pontas das molas das estrelas da coroa de prata a magoarem na cabeça e uma multidão de pessoas ansiosas para ver o anjinho cantar, compunham o cenário. O sino tocava, as luzes acendiam-se, o padre cantava o glória e o anjinho começava o discurso de uma página que havia decorado nos dias precedentes. Depois começava a cantar a primeira quadra e enquanto o povo cantava o refrão repetia mentalmente a segunda quadra e assim sucessivamente para não errar. E se errasse? " Continuas ", disseram-me várias vezes o padre Agostinho e a pianista que "o povo não iria perceber porque não sabia a letra das quadras". Finalmente a última quadra!.... Acabou O cetim já estava quente, mas ainda incomodavam as asas e a coroa que só iria retirar depois de ser beijada e abraçada com cumprimentos de muitos parabéns.
Refrão Gloria, gloria In celsis Deo Gloria, gloria In celsis Deo Que será, o que será? Ora pois que há de ser É por certo o Deus Menino Que acaba de nascer. I Mandou-me o Bom Deus convosco Que sois simples e piedosos Para vos anunciar Seus desígnios amorosos ( Refrão) II Participo a vós pastores A maior das alegrias É que ali mesmo em Belém Nasceu agora o Messias ( Refrão) III Sois os primeiros que sabem Desta grande novidade É Deus , mas quer que a publiqueis Pelo povo e na cidade ( Refrão) IV Despertou a vossa esperança Amanheceu vossa luz Apaguem-se vossas mágoas Entre vós está Jesus ( Refrão) V Para conheceres o menino Eu vou dar-vos um sinal Todo lindo é ele que o mundo Não viu nem verá igual ( Refrão) VI Ele estará deitadinho Nas palhinhas de um curral Embrulhadinho em paninhos É este todo o sinal ( Refrão) VII Junto ao berço do menino Encontrareis sua mãe Tão cheio de amor e carinho Está o bom José também ( Refrão) VIII Agora vou para Belém Adorar o Vosso Deus Correi todos, ide vê-lo Até logo, adeus, adeus
Maricela Quintal |