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Esta
festa realizava-se no dia 8 de Dezembro, com a comparticipação de raparigas,
eleitas no ano anterior pelas festeiras. As raparigas festeiras apresentavam-se trajadas da forma que tinham acordado. No entanto, houve mudanças, conforme as épocas e os gostos. Assim, as primeiras mordomas vestiam-se de vestido azul claro. Posteriormente adoptaram o modelo de saia beije e blusa azul e por fim um conjunto branco ou beije com uma faixa azul. Este último traje, permitia que, futuramente, tanto a saia como a blusa fossem usadas noutra ocasião, pois podiam ser duas peças e rematadas com a faixa. Também era da praxe colocar uma medalha de Nossa Senhora da Conceição ao peito, com um lacinho azul. Os sapatos, apesar de ser em Dezembro eram brancos. As Mordomas também levavam um ramo ou uma flor branca.
O
dia 8 de Dezembro, se não chovesse, era um dia alegre e de festa. Além da
missa e da procissão, com o andor de Nossa Senhora da Conceição bem enfeitado
com flores, e levado aos ombros por quatro das mordomas, também havia uma
festa, onde participavam as mordomas, a família, o namorado. Algumas vezes era
nestas festas que se iniciava o namoro, uma vez que, por um lado a rapariga se
apresentava melhor e por outro havia mais possibilidade de o eleito ser
participante na festa por ser familiar de outra mordoma. Confesso
que no dia em que fui mordoma, não houve nada que me deixasse feliz, pois o
meu, então, namorado tinha partido meses antes para a Venezuela. Juro que não
me lembro de nada: nem da festa, nem da procissão, nem da flor ou ramo que
levei. Só me lembro de que ainda era obrigatório levar o véu e que o meu foi
feito pela minha irmã, porque eu queria um véu simples e leve. Conceição Freitas |
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