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As insígnias do Espírito Santo

 

    Cumprindo uma tradição secular, as insígnias do Espírito Santo percorrem as várias pároquias da nossa ilha, decorrido que é o Domingo de Páscoa.

    Na nossa freguesia do Caniço, esta prática religiosa continua a ser cumprida com a mesma fé e o mesmo empenho de sempre; introduziu-se, contudo, de alguns anos a esta parte, a possibilidade de as insígnias se fazerem representar não só por homens, como era até então hábito, mas também por senhoras que, com igual empenho, distribuem pelas residências visitadas, e em nome de Deus, as bençãos do Santo Espírito.

 

    Tive, durante três anos, a oportunidade de poder participar num grupo de três senhoras que, rotativamente, acumularam a nomeação de "festeiras", uma em cada ano, naturalmente. A função da festeira é simples: transportar o saco das ofertas dos paroquianos, dirigir a oração em cada uma das casas visitadas, entregar, da parte do pároco, uma mensagem escrita de paz e, por fim, incumbir-se de preparar para esse dia um almoço de recepção para todos os acompanhantes, para o pároco da paróquia e para os seus familiares.

    Assim se juntam, em consonância, a festa religiosa e os festejos profanos, muitas vezes assinalados com o estalar do fogo de cana.

 

 

    Nos três anos em que tive oportunidade de visitar todos os paroquianos do Sítio dos Barreiros (Paróquia da Assomada) pude constatar, com alguma emoção, inesquecíveis manifestações de carinho e, sobretudo, de muita fé.

    Como esquecer as lágrimas de idosos solitários perante a vivacidade das vozes das saloias que entoavam um hino ao Divino Espírito Santo?

    Como não recordar a espera paciente dos doentes pela chegada da manifestação do Espírito do Senhor?

    Como não registar as manifestações de admiração e de curiosidade dos mais pequenos face ao colorido dos trajes tradicionais e à mensagem das melodias religiosas?

    Como não ficar agradavelmente surpreendida pelo testemunho das pessoas reunidas em família, num dia que não é de homenagem ao Senhor?

    Da experiência que é única e que deveria ser partilhada por todos, pelo menos uma vez na vida, ficaram não só boas memórias como, naturalmente, uma maior consciencialização do espírito de fé, do respeito e da inquestionável devoção do povo canicense em relação a este acontecimento religioso.

 

A primeira "senhora festeira" da Paróquia da assomada:

Fátima Matos

 

 

 

 

 

 
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