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MANUEL DOMINGOS DE GOUVEIA E FREITAS

(1904 - 1973)

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    Manuel Domingos de Gouveia e Freitas, distinto professor do Ensino Técnico e jornalista, foi o primeiro filho de um casal de fazendeiros, Agostinho de Gouveia e Freitas e Maria de Jesus e Freitas. Nasceu a 4 de Agosto, na casa dos avós, no sítio da Vargem. Este cenário também acolheu os seus nove irmãos (três não sobreviveram): Agostinho de Gouveia e Freitas, Agostinha de Gouveia e Freitas, Marcos de Gouveia e Freitas, António de Gouveia e Freitas, Maria Elisa de Gouveia e Freitas e João Guilherme de Gouveia e Freitas.

    Embora a fazenda despertasse algum prazer, e até lhe custasse a alcunha de «Banana» (adorava mexer na terra e as bananeiras, muitas vezes, manchavam a sua roupa, facto que não passava despercebido aos olhos dos alunos), Manuel Domingos Gouveia e Freitas não se deixou prender por este instinto e prosseguiu os estudos. Tirou o curso do Liceu Jaime Moniz, no Funchal. Durante o período lectivo, residia na Rua da Carreira, num quarto alugado. Nos fins de semana, deslocava-se (habitualmente a pé) ao Caniço para visitar a família. Concluído o Liceu, matriculou-se no Curso Superior de Finanças (do antigo Instituto Superior do Comércio de Lisboa), formando-se com a classificação final de treze valores.

    Em 1927, regressou à ilha da Madeira e foi admitido (a 8 de Outubro), como professor de Cálculo Comercial e secretário da Escola Industrial e Comercial do Funchal. Posteriormente (de 5 de Dezembro de 1951 a Outubro de 1965), tornou-se professor efectivo e director da mesma escola (vaga deixada pelo seu amigo Dr. Álvaro de Meneses Reis Gomes).

    Entre 1933 e 1934, foi vogal da Comissão Administrativa da Câmara Municipal do Funchal e da Comissão Distrital de Contas (por nomeação do Governador do Distrito do Funchal).

    Quanto amor, Manuel Domingos Gouveia e Freitas não escapou à seta do Cupido. Depois de ter sofrido a perda da sua primeira noiva, «ceifada pela tuberculose», conheceu, num passeio que realizou ao Porto Santo, a filha de um comerciante, Benvinda Henriques de Araújo. Enamoraram-se e casaram no dia 20 de Novembro de 1935, na Igreja de Santa Luzia.

 

    O casamento levou-o a mudar para a Torrinha (Funchal), onde cresceram os seus cinco filhos:

  • Miguel Araújo Gouveia e Freitas (20 de Novembro de 1936), um professor de Educação Física, casado com Margarida Pires de Gouveia e Freitas, que, na véspera do Natal de 1980, pereceu no mar do Garajau quando explorava uma caverna;

  • Manuel Araújo Gouveia e Freitas (3 de Março de 1938), arquitecto (em Lisboa), casado com Natália Freitas;

  • Isabel Araújo Gouveia e Freitas Corte (2 de Abril de 1939), técnica principal do Instituto Ricardo Jorge em Lisboa, casada com Gil Simões Corte;

  • Maria de Lurdes de Gouveia e Freitas Carvalho Vaz (4 de Abril de 1940), professora de Educação Musical (em Lisboa), casada com Raul de Carvalho Vaz;

  • Ana Teresa Araújo Gouveia e Freitas Ramos (29 de Setembro de 1941), professora de Inglês da Escola Francisco Franco (Funchal), casada com José Porfírio Ramos.

Além de chefe de família, professor e director da Escola Industrial Comercial do Funchal, foi também director de um semanário de doutrina nacionalista, A Tribuna, onde versou sobre política, questões económicas e financeiras.

Manuel Domingos Gouveia e Freitas, adepto do Estado Novo, nunca escondeu a sua veneração pela política de Salazar; o seu interesse pelo progresso da Madeira e do Porto Santo; o seu combate pelos direitos do Homem; o seu entusiasmo pela propagação do nacionalismo e cooperativismo; a sua manifesta repugnação pelos conceitos liberais-individualistas, considerando-os «fomentadores da indisciplina social e de egoísmos sórdidos e [produtores de] efeitos maléficos» (ARM, A Tribuna, N.º 129, 21/12/1935).

Revelou ainda as suas convicções em O Jornal e numa conferência intitulada «Ano X da Revolução Nacional»(28 de Maio de 1936).

Da sua vida, ficaram também recordações das distracções e dos vícios (fazia-se acompanhar sempre de uma carteira de cigarros «Boa Viagem»). Como passatempo, adorava jogar bridge com o tenente Domingos Cardoso. Para a noite, reservava sempre, na sua mesinha de cabeceira, um romance de um escritor inglês do século XIX.

Em Junho de 1973, deixou de exercer funções. Volvidos seis meses (20 de Dezembro de 1973), faleceu, em casa, vítima de acidente vascular cerebral. Foi sepultado num jazigo de família, em São Martinho.

 

Valentina G. de Freitas

 

  • Excerto de um trabalho realizado (em 1995/96) para a cadeira de História da Cultura da Madeira, ministrada pelo Prof. João Adriano Ribeiro, na Universidade da Madeira.

 

  • Bibliogafia:

    • CLODE, Luís Peter, Registo Bio-Bibliográfico de Madeirenses Séc. XIX e XX, edição da Caixa Económica do Funchal, 1983.

    • O Jornal, N.º 5829, 30/12/1951.

    • A Tribuna.

 

  • Agradecimentos:

    • Dr.ª Ana Teresa A. G. F. Ramos (filha);

    • Sr.ª Marcos de Gouveia e Freitas (irmã);

    • Sr. Manuel Vivêncio Freitas Figueira (sobrinho e aluno).

 

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