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As unidades hoteleiras no Caniço acusam a Câmara Municipal de Santa Cruz de falta de diálogo e questionam a competência do vereador das Obras Públicas pela recente modificação do trânsito no centro da urbe. A benevolência da autarquia perante a violação da lei do ruído e a autorização da realização de sessões de "karaoke" ao ar livre, no café esplanada no centro, tem gerado a consternação dos investidores do sector e transformou-se na "gota de água" para a indignação geral. «Se o Governo Regional criou condições para se desenvolverem novos pólos turísticos fora do Funchal, as autarquias não podem aproveitar isso para estarem a comprometer, com algum autismo e falta de sensibilidade, aquilo que é a indústria que move o concelho», apontou, ao DIÁRIO, Miguel Caldeira, director-geral do hotel Quinta Splendida e gerente da empresa "Intermendes", que assumiu a voz da consternação pela forma como a autarquia tem lidado com os problemas transmitidos pelas unidades hoteleiras da mais jovem cidade da Região. Segundo o responsável, as preocupações manifestadas nas reuniões dos empresários do sector hoteleiro do Caniço têm sido remetidas à autarquia, através de carta, mas têm sido sistematicamente ignoradas, não tendo merecido qualquer resposta. Por isso, as preocupações já foram, ainda que informalmente, transmitidas ao gabinete da Presidência do Governo Regional e à Direcção Regional do Turismo, que têm tido outro acolhimento. Pegando no último episódio Miguel Caldeira, considerou «ridículo» que a Câmara licencie eventos nocturnos com colunas no exterior em altos debicéis, com música acompanhada por vozes mais ou menos afinadas, quando a escassos metros há um hotel com perto de 300 turistas hospedados. Se os arraiais e as festas tradicionais são tidos como excepções ao descanso, já os operadores têm dificuldade em aceitar as explicações do hotel para justificar os incómodos dos seus clientes, todos os fins-de-semana por causa do "karaoke" ao ar livre. «Os operadores questionam os contratos por causa das reclamações e o mercado não está próspero e as indemnizações andam pelos 300 e 400 euros», queixou-se. Por isso lançou o repto: «a junta de freguesia e a autarquia têm que definir se o desenvolvimento do turismo no Caniço é ou não uma prioridade». Em caso de resposta afirmativa, então os hoteleiros exigem o fim dos «excessos» causados pela «política da tolerância», lembrando que representam centenas de postos de trabalho, a dinamização do destino e investimento de milhares de euros. VEREADOR SEM FORMAÇÃO O director-geral do hotel Quinat Splendida questionou a competência de Carlos Barbosa, vereador com o Pelouro das Obras Públicas da Câmara de Santa Cruz, na sequência das recentes alterações da orientação do trânsito e da sinalização. «Ou não tem formação ou está a ser mal aconselhado». Exemplificou a colocação da linha amarela contínua e de um STOP mesmo em frente à entrada para a Quinta Splendida. Acrescenta que os turistas que nos visitam são unânimes quanto «às volumetrias das construções muito criticáveis e fracas em estética e arquitectura». In: DIÁRIO NOTÍCIAS 20-09-2005
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