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OS ROMEIROS DA FESTA DO LIVRAMENTO

 

"                          O AMOR E O CIUME

 

Manhã luminosa de Setembro...

Rapazes e raparigas,

Do mesmo sítio e em buliçoso bando,

Soltando cantigas

E tocando e Bailando

Seguiam lestos para a Romaria,

Por entre constante rumor...

Era tudo ventura e alegria

Na santa paz do Senhor!

 

Inda distante do arraial

- E ambos desconhecidos dos romeiros -

A estes se reuniam pelo caminho

Dois novos e estranhos companheiros:

Um, de semblante fraco e jovial,

E o outro, de olhos vesgos, traiçoeiro...

 

...E assim se foram todos a rir e trovar,

Em alegre e ruidoso folgar

Até que depois, em pleno arraial

( E enquanto no ar, com estrondo),

Uma salva explodia),

Rebentou entre os romeiros grave contenda,

A que não foram estranhos

Os ternos olhos castanhos

De certa moça morena

- A mais engraçada Maria

Da buliçosa Romaria.

 

E foi no meio do tumulto,

Que, logo depois serenado

Não chegou a tomar grande vulto

Que surgiu ( de bengalão em punho

E enxugando o suor a um lenço encarnado)

O « senhor Regedor » da freguesia,

O qual, com seu faro descobria,

Que o inesperado incidente,

Ocorrido no festival,

Havia resultado, unicamente,

Da presença dos dois desconhecidos,

Que, tendo-se juntado aos romeiros,

Com eles haviam seguido,

Sorrateiros,

Para os folguedos do arraial...

 

- Mas quem eram esses atrevidos,

Afinal?

 

- Um, era o AMOR, o tal de rosto jovial,

E o outro, o CIUME, seu maldito companheiro,

O tal de olhar vesgo, taiçoeiro,

Que, embora rivais a valer,

Sem se poderem ver,

( Em todos os tempos e em todo o lugar! )

Vão sempre, sempre a toda a parte juntos

E andam sempre, sempre a par

«Vivenda da Azenha»

Setembro de 1954 "

 

Extraído do livro :

Murmúrios da Azenha

de Baptista Santos

 

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