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Reis Magos wpe6.jpg (26904 bytes)

 

    Embora sejam várias, especialmente na costa Sul, as baías que tornam mais suave o encontro do mar com o solo madeirense, a enseada (e a praia dos Reis Magos) desde cedo aparece referenciada como porto de mar, zona piscatória e até de algumas residências, em grande parte de pescadores daquele lugar.

FOTOGRAFIA: Perestrellos Photographos - «Museu Vicentes»

 

    A imagem de hoje, não datada com rigor, mostra em primeiro plano a praia e, ao fundo mas sem que se consiga descortinar, a enseada e a zona onde os barcos são varados.

    Como zona piscatória, e embora algo distante de alguns dos outros portos da ilha no que respeita à quantidade de pescado descarregado, os Reis Magos surgem numa lista onde se encontram «os 15 portos de pesca de todo o arquipélago, em que se exerce a fiscalização da Alfândega, o peso e o valor do peixe desembarcado», conforme refere documentação oficial da primeira metade do século passado. No caso dos Reis Magos, ganham particular relevo os mais de 121 mil quilos pescados no ano de 1942, tendo no ano seguinte sido ultrapassados os 300 mil kilos. Estes números ficam a dever-se em grande parte aos 31 e aos 102 cachalotes capturados nos respectivos anos, sendo nessa altura «considerável a pesca de cetáceos que se vai realizando nos mares deste arquipélago», constatou-se à época.

    Para além da pesca do início dos anos 40 aqui relembrada, o porto dos Reis Magos era no início do século passado de vital relevância para o sustento dos locais, dado que dali saíam por mar a cana, a cenoura ou a cebola (que tanto caracteriza estas paragens), e também por mar entravam outros produtos, vindos da cidade, de que a terra necessitava.

    Nesta fotografia ganham igualmente relevo as ruínas do Solar dos Reis Magos (à esquerda), cuja construção é datada do início do século XVIII, e que conjuntamente com parte do cenário envolvente é hoje legalmente considerado de valor local.

    A fotografia desta semana, pelo carácter documental que encerra, ganha tanto mais relevo quanto mais se afasta, hoje, da realidade presente deste "pedaço de terra" à beira mar.

Luís Sena Lino, 6 de Outubro de 2002

IN: DIÁRIO DE NOÍCIAS

 

 

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