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Ali, onde o passado e o presente se encontram, ergue-se quase esquecido pelas gentes do Caniço o Relógio de Água. É uma pequena construção, em forma de torre, sem grande riqueza arquitectónica, localizada mesmo atrás da farmácia, numa zona que ainda conserva algumas memórias do que foi o Caniço de outros tempos. Para lá chegar é preciso andar a pé. Talvez por isso exista tanta gente que ignora a existência deste relógio e do restante património que o rodeia. Não se sabe ao certo quando é que foi construído, mas supõe-se que deverá ter sido edificado na mesma altura do que o exemplar existente na freguesia dos Canhas, concelho de Ponta do Sol (finais do século XIX), o qual, felizmente, já foi recuperado pela Autarquia local, com ajuda de apoios comunitários. Pelas suas características, e embora a construção do Caniço já tenha sido despojada do relógio, o que felizmente não aconteceu no caso do relógio dos Canhas, ambos desempenharam a mesma função, constituindo hoje um testemunho de como era feita a divisão e distribuição da água de regadio. É verdade que o Relógio de Água do Caniço não tem a importância do exemplar dos Canhas, que também tem a forma de uma torre, mas é muito mais alto. Porém, a sua escala é igualmente importante, especialmente para uma freguesia que tem vindo a ser descaracterizada por uma série de construções de grande volumetria e que deveria, por isso mesmo, apostar na salvaguarda e na preservação destes pequenos marcos da sua história. É por isso que se regista com agrado a intenção da Junta de Freguesia do Caniço de proceder à recuperação da velha construção que, quem sabe, com jeito e sorte não volta a ver o seu relógio... De acordo com aquilo que explicou ao nosso jornal Aníbal Alves, a Junta de Freguesia quer avançar ainda este ano com este projecto. Depois, explica Aníbal Alves, o próximo passo será a apresentação de uma candidatura a fundos comunitários: "Depois dos levantamentos feitos, vamos candidatar o projecto a um programa da União Europeia, a fim de obtermos alguma ajuda financeira para poder avançar com a recuperação". Não se tratando, como já se disse, de uma construção de grandes dimensões, nem complicada do ponto de vista arquitectónico, os custos destes trabalhos não deverão, no entanto, ser muito elevados. ainda assim, para uma entidade que tem um orçamento reduzido, toda e qualquer ajuda é bem-vinda. Já agora, aproveitando, como diz o povo, a "embalagem", seria bom que se pensasse em recuperar os moinhos que existem nas imediações do velho Relógio de Água. São três ao todo: Dois estão bastante degradados e um terceiro "está mais ou menos em bom estado". A Junta está sensibilizada para essa recuperação, mas não pode, por várias razões, avançar sozinha. O ideal seria que, conforme refere Aníbal Alves, "em diálogo com os proprietários, porque os moinhos são privados, fizéssemos o levantamento, tendo em vista a recuperação dos mesmos". Se assim acontecesse, o Caniço ficava com um núcleo histórico de interesse, que poderia constituir uma mais-valia a vários níveis. E já agora, porque sonhar não custa, podia pensar-se também na recuperação da vereda do Relógio de Água, e também do Caminho da Azenha, denominações toponímicas atribuídas precisamente em função precisamente da existência quer do relógio, quer dos moinhos ali existentes.
Luísa Gonçalves IN: NOTÌCIAS DA MADEIRA 16-01-2005
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