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O uso dos diminutivos no vocabulário natalício é muito frequente. Apesar de ser uma das características do falar popular, mesmo os que «puxam dos colarinhos» para honrar a língua portuguesa, também os utilizam, pois, segundo a Gramática da Língua Portuguesa de Pilar Vasquez Cuesta e Maria Albertina Mendez da Luz, os sufixos dos diminutivos concentram «a emotividade meridional e ibérica do português». E, apesar de os nossos escritores muitas vezes os empregarem com sentido irónico, galhofeiro e motejador, os diminutivos também podem designar pequenez, carinho, ternura, simpatia e graciosidade. É com esta última acepção que ouvimos e utilizamos os seguintes: A
lapinha As
escadinhas
A
rochinha As
palhinhas. A
grutinha A
vaquinha O
burrinho As
searinhas O
triguinho O
sapatinho (na chaminé e flor) As
jarrinhas O
pinheirinho O arquinho de flores
As
ovelhinhas Os
pastorinhos As
casinhas As
cabrinhas Os
brindeirinhos A
rosquilha A
espiguilha.
Observando algumas quadras de Natal e verificamos a frequência com que
os sufixos dos diminutivos aparecem, tanto em substantivos como em adjectivos:
“A
sua caminha é feita
de
frias palhinhas, só.
É
Deus e tão pobrezinho,
que
até mesmo mete dó.
Ele
estará deitadinho
nas
palhinhas dum curral,
embrulhadinho
em paninhos.
É
este todo o sinal.” Estas
quadras são um excerto da «Anunciação», com origem na Ponta Delgada,
segundo O Pe. Manuel Juvenal Pita Ferreira in O
Natal na Madeira, p.132 e encenada durante muitos anos no Caniço, por
iniciativa do Padre José Agostinho de Freitas, natural daquela Freguesia da
costa norte da ilha da Madeira).
Oh!
Como é lindinho!
Pois
reparai bem
O
lindo amorzinho
que a meus braços vem.
(Idem
p.136)
Na obra anteriormente referida encontramos abundantemente diminutivos,
nos cânticos de Natal e, quem estiver atento, observará que na linguagem
hodierna os utilizamos com frequência no vocabulário desta época do ano.
Conceição Freitas
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